20 fevereiro 2008

Terceiro Aniversário


Pois é, ainda parece que foi ontem!
O Tertúlia do Pinhal comemora hoje o seu terceiro aniversário. Depois da imaturidade inicial, este blog começa a afirmar-se como uma referência regional.
É essencial que continuemos no bom caminho, construtivos, plurais, coerentes e independentes.
Numa altura em que os jornais locais vão lentamente desaparecendo da nossa região, resta-nos os meios digitais para que possamos garantir a democracia e pluralidade que um regime democrático deve salvaguardar.

Atentamente
A equipa do Tertúlia do Pinhal

16 fevereiro 2008

"Região do eucaliptal"

A falta de pinheiros ameaça deixar em maus lençóis empresas do sector da madeira da região, alerta Carlos São Martinho (presidente da distrital do PSD Castelo Branco). Apesar de não apresentar números concretos, garante que os relatos que os empresários lhe fazem “são muito preocupantes”.
“É irónico, mas há empresas da região do Pinhal Interior que chegam a ter que importar de Espanha e França metade da madeira de pinho que usam como matéria-prima”, descreve. O social-democrata não tem dúvidas em pedir a intervenção do Governo, sobretudo para que haja maior fiscalização e se possa travar o abate de pinheiros na região e sua substituição por eucaliptos. Critica também algumas opções do Estado em matéria de gestão florestal.
Entre elas, questiona a venda de propriedades ao grupo Altri pela empresa pública Lazer e Floresta (do grupo Portucel). “É um exemplo grave. Os terrenos incluem centenas de hectares de pinhal que está a ser abatido para a indústria da celulose e esse risco paira sobre inúmeras outras propriedades”, sublinha.

ALERTA NO SECTOR
Também na comemoração dos 50 anos da Associação das Indústrias da Madeira e Mobiliário de Portugal (AIMMP), em Dezembro de 2007, o presidente Fernando Rolin classificou a falta de matéria-prima como uma situação bastante grave, capaz de “levar ao encerramento de empresas e ao aumento do desemprego, se nada se fizer”, referiu à Agência Lusa. Segundo o inventário florestal nacional na altura destacado, houve um recuo de 27 por cento da área coberta pelo pinho. Desde 1998, o número de unidades de serração em Portugal caiu de 732 para 290, acrescentou.

EFEITOS COLATERAIS
João Paulo Catarino (PS), presidente da Câmara de Proença-a-Nova, no coração da região do Pinhal, refere que “o que se passa são as leis de mercado a funcionar, mas o regulador Estado tem que intervir”. “O problema está na falta de fiscalização”, referiu João Paulo Catarino, que vê com preocupação a escassez de matéria-prima para a indústria. “A fileira florestal é muito importante para esta região e os seus problemas trazem inúmeros fenómenos associados, como a desertificação e o desemprego”, refere.
Apesar das tentativas, não nos foi possível obter esclarecimentos do grupo Altri em Castelo Branco, nem da secretaria de Estado das Florestas.

Alguns dos terrenos vendidos
A empresa pública Lazer e Floresta vendeu no último ano 1490 hectares de terrenos no distrito de Castelo Branco ao grupo Altri, dos quais 1049 eram povoados com pinheiro bravo. São um dos exemplos que “merecia outra gestão” apontados pela Distrital do PSD.
Segundo Catarino Costa, administrador da empresa, “houve mais interessados nos terrenos, incluindo empresários do sector madeireiro, mas a proposta vencedora estava 15 por cento acima do segundo concorrente e bastante acima das outras propostas individuais”, acrescenta.
“Não me compete fazer comentários quanto ao uso que os novos donos lhes darão”, refere, ressalvando que “os terrenos eram de uma empresa de celulose e agora serão de um empresa da mesma área de actividade”.
Para Carlos São Martinho, a proveniência não importa. “O que interessa é, face ao cenário actual, o Governo assumir uma posição política em defesa do pinhal”.

“As serrações e fábricas de produtos de madeira no Pinhal suportam custos adicionais da matéria-prima importada e seu transporte. Não admira que alguns decidam fechar portas ou deslocalizar-se”
Carlos São Martinho,
presidente do PSD Castelo Branco

“As pessoas normalmente substituem o pinheiro por eucalipto e fazem muitos mais cortes prematuros, tudo em busca de mais rendimento, um problema que temo que se agrave quando as centrais de biomassa começarem a funcionar”
João Paulo Catarino,
presidente da Câmara de Proença

(por: diário XXI)

31 janeiro 2008

Nova lei do tabaco

Já ando para abordar este tema à algum tempo, porém só agora o trago deliberadamente a discussão, assim o faço porque tenho tentado observar a forma como fumadores, não fumadores e responsáveis de empresas de restauração (os auto denominados “prejudicados”) reagem a esta lei.
Começo por felicitar todos aqueles que cumprem, ou tentam cumprir escrupulosamente a nova lei, não posso contudo deixar de condenar todos aqueles que por completa “chico-espertice” e falta de respeito pelos seus clientes e colegas de profissão, tentam contorna-la socorrendo-se das mais variadas, engenhosas e inconcebíveis manobras.
Sou a favor do propósito desta lei, todavia não a defendo. Se me fosse incumbida a nobre tarefa de legislar sobre esta matéria, seria mais peremptório, radical e preciso.
Creio que para haver um real cumprimento desta lei, deveria ser proibido fumar em todos os locais públicos fechados, só assim se evitariam situações como as que se têm observado. Áreas de restauração onde ninguém distingue que zonas são para fumadores ou não fumadores (muitas vezes esta confusão é causada de forma propositada), áreas para fumadores com extractores de fumo escandalosamente ineficientes ou então desligados durante grande parte do dia, etc…
Podem chamar-me de fundamentalista, mas estando como esta lei está redigida, acabada por quase tudo continuar na mesma.
Há quem defenda que cada um é livre de eleger se o seu espaço é para fumadores ou não fumadores, todos sabemos que se assim fosse tudo ficaria como era, nenhum responsável comercial quereria interditar o fumo no seu estabelecimento para não perder clientes. Foi isto que aconteceu durante anos a fio, contam-se pelos dedos das mãos os espaços que adoptaram uma política de zona para fumadores e não fumadores na nossa região.Fique bem claro que o tabagismo passivo é susceptível de provocar igualmente o desenvolvimento de cancro. O tabaco é tão perigoso que basta viver com alguém que fume para que a probabilidade de contrair um cancro de pulmão aumente extraordinariamente.Um estudo publicado na revista British Medical Hournal de Abril de 2004, aponta os efeitos devastadores do fumo passivo. De acordo com os autores desse estudo, os adultos que estão diariamente em contacto com fumadores aumentam a taxa de mortalidade em 15%, mesmo que nunca tenham fumado na vida.
Cerca de 2.500 das 12 mil mortes registadas, em 2005, em Portugal devido ao tabaco foram de não fumadores. Destes 2500 quantos eram empregados de balcão, frequentadores de bares, cafés, discotecas, trabalhadores de estabelecimentos comerciais? Não virá esta lei, para esses 2500, um pouco tarde?!
Tenhamos a perfeita noção de que este não é um problema Português, é um problema global, que está a ser tratado de forma severa dentro de todos estados membros da União Europeia. Há países (Inglaterra, França, Irlanda, Suécia, Itália, …) que adoptaram uma lei bem mais restritiva que a nossa.


INEM - O caos do nosso país

Apresento-vos de seguida um conjunto de 2 vídeos sobre as emergências médicas do nosso país.
O primeiro vídeo é verídico, foi emitido no Jornal da Noite da SIC e apresenta um suceder de acontecimentos que nem nos nossos piores pesadelos podemos imaginar. O segundo vídeo serve para descomprimir, é uma rábula que retrata o primeiro video segundo o olhar sarcástico do humorista Ricardo Araújo Pereira.
Vídeo 1
Vídeo 2

29 janeiro 2008

Novo troço do IC3 em 2014

Boas novas para todos aqueles que regularmente utilizam o IC3.
Segundo o jornal JN, o novo lanço do IC3 (Itinerário Complementar nº3) que vai ligar Tomar a Coimbra contempla obras gigantescas a nascente e sul deste concelho. No traçado que o respectivo estudo de impacte ambiental (EIA) apresenta como mais favorável, surgem três túneis com uma extensão total de cerca de quatro quilómetros, entre a freguesia de Ceira e a circular externa de Coimbra, e três novas pontes, nos rios Dueça, Ceira e Mondego.
O estudo prévio da nova estrada, juntamente com o EIA, já entrou em fase de discussão pública, dia 4 deste mês, e pode ser consultado, nas autarquias abrangidas, até 6 de Março. Nesse documento, o Governo declara que o projecto de execução da nova estrada deverá estar pronto em meados de 2009, para que a obra seja iniciada ainda nesse ano e concluída em 2014.
Por faltar aprovar o traçado definitivo do lanço, não há informações exactas sobre os custos do empreendimento, mas a empresa Estradas de Portugal estima, em resposta ao JN, que o orçamento global ande na ordem dos 570 milhões de euros.
Embora o documento disponibilizado ao público não fale em dinheiro, a análise dos mapas anexados permite concluir que boa parte do orçamento será despendido em Coimbra qualquer dos dois traçados propostos, para a parte final do lanço do IC3, coincide com a zona mais acidentada do concelho e atravessa três rios.

Pontes entre túneis
O estudo prévio, elaborado pela empresa Coteprol, faz o IC3 entrar em Coimbra pelo extremo sul do concelho, em Almalaguês. Depois de atravessar esta freguesia, já à entrada da de Ceira, será construída uma nova ponte sobre o rio Dueça. A partir daqui, o IC3 segue em túnel, ao longo de um pouco mais de mil metros, até à margem esquerda do rio Ceira, entre as localidades de Cabouco e Bouça. Mas só virá à superfície para atravessar o rio Ceira, através de uma ponte nova.
Já na margem direita do Ceira, o IC3 seguirá noutro túnel, com perto de dois quilómetros de comprimento, que atravessará a Serra do Carvalho. Terminará na margem esquerda do Mondego, a jusante das Carvalhosas.
É entre esta aldeia e a Ponte da Portela, numa zona onde o leito do Mondego é largo e surge num vale profundo, que vai nascer a nova travessia deste rio. A partir daí, já na margem direita, o IC3 sobe até ao Chão do Bispo. E, um pouco mais em cima ainda, no Picoto dos Barbados, já muito perto da Mata Nacional de Vale de Canas, nasce novo túnel, com menos de um quilómetro, que vai terminar já perto da circular externa de Coimbra. Daqui, ligar- -se-á, nomeadamente, ao IP3.
Ainda no concelho de Coimbra, o traçado alternativo do IC3 que o EIA considera menos favorável prevê vários viadutos e atravessa os três referidos rios mais a montante. No caso do Mondego, atravessá-lo-ia entre Torres do Mondego e Casal da Misarela, seguindo em direcção a Vale de Canas e à circular externa.

Cerca de 25 mil carros/dia
Este lanço do IC3 vai ter dez nós de ligação e cruzar, além de Coimbra, os concelhos de Condeixa-a-Nova, Miranda do Corvo, Penela, Figueiró dos Vinhos, Ansião, Alvaiázere, Ferreira do Zêzere e Tomar. O objectivo é permitir "a interligação rápida e segura entre a variante de Tomar, o IC8 em Avelar, a A1/IC2/EN1, em Condeixa, e a circular externa de Coimbra, que se encontram construídas e em exploração".
Grosso modo, o estudo prévio prevê duas grandes alternativas de traçado. Mas, fazendo as contas a mais sete traçados parciais alternativos e a três ligações possíveis a Condeixa, chega-se a 84 hipóteses diferentes. E nenhuma delas apresenta, segundo o EIA, "impactes negativos tão significativos" que inviabilizem o empreendimento.
O EIA deixa, ainda assim, avisos "Há que contar com os condicionamentos representados por algumas áreas classificadas de grande importância a nível regional e mesmo nacional, como seja o Sítio Sicó-Alvaiázere da Rede Natura 2000 e as importantes áreas de Reserva Ecológica Nacional e da Reserva Agrícola Nacional que se vão distribuindo ao longo de toda a área".
O IC3, que aparece no Plano Rodoviário Nacional 2000 com a designação "Coimbra-Setúbal", vai oferecer, entre Coimbra e Tomar, duas vias em cada sentido, com 24 metros de largura. No estudo de tráfego apresentado, o cenário de maior procura ("optimista") apresenta valores diários de 21 a 25 mil veículos, em 2012, e de 26 a 30 mil, em 2032.
João Gaspar, da Estradas de Portugal, admite que o novo lanço, após obter Declaração de Impacte Ambiental da Agência Portuguesa de Ambiente, "possa integrar uma futura concessão". Observa, todavia, que ainda "não existe qualquer decisão sobre esta matéria".

(por: Jornal de Noticias)