18 agosto 2006

Sugestão para noite de verão: O pianista

Um filme a ver numa destas noites de verão. É um filme sempre actual e deveras interessante.
Relembrando o período negro da nossa sociedade este filme ajuda-nos a não esquecer o que um sistema racista e faccioso consegue fazer.
Aqui a maioria não tinha querer nem poder, remetia-se a obedecer.

Sinopse do filme (em português do Brasil):
Durante a II Guerra Mundial, o famoso pianista judeu polonês, Wladyslaw Szpilman, vê sua família ser deportada em 1942. Ele consegue salvar-se, por puro acaso, do comboio da morte. Um policial, músico também, o arranca do vagão. Mas é enclausurado junto com outros milhares de judeus no Gueto de Varsóvia, errando às escondidas durante mais de dois anos e passando por sofrimentos, humilhações e lutas impossíveis numa Varsóvia dominada pelos nazistas. Doente, solitário e faminto, deve sua vida a um outro oficial alemão, católico, Wilm Hosenfeld, que tem uma paixão exagerada pela música. Abalado pelos crimes nazistas, decide ajudá-lo a sobreviver.
Três etapas dividem o filme: a opressão sufocante da sucessão de leis anti-semitas, que os judeus da época queriam acreditar, a cada novo decreto, que aquele seria o último. O medo, frente ao nazismo, presença estranha e desumana, que ameaçava pessoas e famílias inteiras. Enfim, o inexplicável dos crimes imprevisíveis e frios, que não deixam margem para esperanças. Polanski consegue fazer esta reconstituição com rara autenticidade. No filme "O Pianista", não se chora, mas um sentimento de revolta e de raiva se apodera do espectador diante da maldade dos carrascos.
Neste filme, o diretor Roman Polanski quis reatar seus laços com sua origem judeu-polonesa, com infância passada no gueto de Cracóvia. Sua mãe morreu no campo de concentração e, embora seu pai tivesse sobrevivido, o mais terrível de tudo é que uma criança resiste a tudo, mas fica marcada para sempre quando é separada dos pais, diz Polanski em entrevista a "O Estado de São Paulo", em 9 de outubro de 2002. Sempre soube que um dia faria um filme sobre o Gueto de Varsóvia, sobre esse período doloroso da história da Polônia, mas não queria que fosse autobiográfico. Desde a leitura dos primeiros capítulos das memórias de Szpilman, soube que "O Pianista" seria objeto de meu próximo filme. Era a história que eu precisava: apesar do horror, positiva e cheia de esperança. Sobrevivi ao bombardeio de Varsóvia e ao gueto de Cracóvia e quis recriar as lembranças de minha infância. Quis ficar o mais perto possível da realidade e não filmar à moda de Hollywood. A história de Spzilman permite a Polanski reviver sua própria história e o tema do isolamento humano, tão caro a ele, reaparece no filme através de janelas: quando Spzilman é obrigado a pular de abrigo em abrigo, de um apartamento de amigos poloneses para outro, vemos o Gueto de Varsóvia através de seus olhos. Vemos o que ele vê e, mais importante ainda, da forma como ele vê. Esses fatos estão inscritos na sua consciência e vão moldar sua memória para o resto da vida.

No livro que escreveu, Szpilman nunca se coloca como herói, mas como um sobrevivente acidental, um homem que por ironia do destino deve sua vida ao inimigo.

2 comentários:

sindicalista capitalista disse...

Já vi o filme, e recomendo a todos aqueles que têm ideais fascistas e narcizistas. Um filme bastante bem feito e que nos ajuda a perceber melhor a tragédia que, não só os judeus, mas todos passaram com o regime nazi.

visionarium disse...

excelente sugestão observador.
Vejam e não se arrependerão