05 maio 2006

Repovoamento de Vila de Rei – Exemplo a seguir ou a reflectir?

A presidente de câmara de Vila de Rei, Irene Barata, tomou uma medida inédita para tentar combater a desertificação do seu concelho, recrutou cidadãos brasileiros de uma pequena cidade do Brasil (Maringá, estado do Paraná), garantindo-lhes alojamento gratuito (até que tenham condições para alugar as suas prórpias casas), escola para os filhos, emprego num lar de idosos (salário de €400 mensais) e vistos de residência. Chegaram nesta quinta-feira os primeiros 15 cidadãos (4 famílias) de 250 (60 famílias) que a autarca pretende levar para o seu concelho até ao ano de 2008.
Devem também os nossos concelhos seguir esta política de “reflorestação humana” para travar a desertificação? Não consigo compreender nem concordar com esta medida, temos, segundo os últimos dados do IEFP, 480 mil desempregados e, segundo o SEF, 150 mil imigrantes ilegais. Como pode um país que possui números tão expressivos como estes dar-se ao luxo de oferecer empregos e alojamentos a cidadãos de outros países e que não residem em Portugal? Porque não são criadas condições para a migração de pessoas do litoral para o interior? É simples, dar aos desempregados e imigrantes ilegais que residem em Portugal as mesmas possibilidades e benefícios que estão a ser dados a estes imigrantes. A medida da autarca de Vila de Rei travará a desertificação, mas de uma forma virtual e a curto prazo, a médio prazo os filhos destes cidadãos ver-se-ão com os mesmos problemas que afectam todos os jovens do interior do nosso país, falta de saídas profissionais e perspectivas de futuro, originando assim uma nova desertificação do interior do país. Deverão ser criadas condições para fixar as pessoas no interior, este tipo de medidas não trarão os benefícios que se pensam contundentes para a quebra da desertificação.

Decididamente esta autarca preteriu a solução pensada a longo prazo em deferimento da solução fácil e inconsequente, os prejuízos daí inerentes serão assoladores.