
Vinha recentemente publicado num jornal regional semanal que o governo pretende encerrar as extensões de saúde com menos de 1500 utentes, como a noticia me pareceu meio confusa em alguns aspectos decidi consultar o Diário da República para apurar a veracidade destas alegações, o mais semelhante que encontrei a esta noticia foi o decreto de lei nº60/2003 de 1 de Abril, Artigo 12º alínea 2 que refere o seguinte: ”A população inscrita na lista de cada médico deve ser de cerca de 1500 utentes, …”, ora uma coisa é ter 1500 utentes por médico, outra é ter 1500 utentes por extensão/centro de saúde, mas partindo do princípio que a noticia é realmente verdadeira, há um sério risco de serem fechadas algumas extensões de saúde nos nossos concelhos. Figueiró dos Vinhos é um dos candidatos, onde cada uma das cinco extensões de saúde tem um número de utentes inferior a 1500 utentes: Vilas de Pedro: 52 utentes, Campelo: 143 utentes, Bairradas: 485 utentes, Arega: 1126 utentes e Aguda: 1139 utentes, o outro candidato é Pedrógão Grande, onde há 2 extensões de saúde em risco: Graça: 640 utentes e Vila Facaia: 771 utentes. A não usufruição de uma utopia perfeita, e infelizmente inconcretizável, não nos permite ter a existência de um só médico a tempo inteiro em cada uma das “nossas” extensões de saúde, pelo que devemos socorrer-nos dos números da Sub-Região de saúde de Leiria – Ministério da Saúde para obter uma análise mais detalhada do problema: Figueiró dos Vinhos possui 7 médicos (dos quais 2 estão em processo de aposentação e 1 está destacado para funções de gestão da Sub-Região) para responder aos cuidados de aproximadamente 8000 utentes inscritos, o que dá uma média teórica (7 médicos ao serviço) de 1143 utentes por médico e uma média real (4 médicos ao serviço) de 2000 utentes por médico. No caso de Pedrógão Grande existem 4 médicos para dar conta de aproximadamente 5900 utentes inscritos, o que corresponde a 1475 utentes por médico. Analisando os números concluímos que há falta de médicos em Figueiró dos Vinhos, e que há médicos de acordo com aquilo que é estipulado por lei em Pedrógão Grande , contrariando assim as supostas pretensões do governo de encerrar extensões de saúde por excesso de médicos nestes concelhos.
Concordo que seja necessário extinguir ou fundir algumas extensões de saúde, é preciso no entanto contemplar outros dados para além dos números, a maioria da população destas aldeias é idosa, estereotipo de população que requer um maior acompanhamento médico e não possui transportes públicos que lhe permitam deslocar convenientemente a uma localidade, a alguns km’s de distancia, para receber cuidados médicos.
Outra alteração que o governo pretende levar a bom porto é o prolongamento do horário de todos os centros de saúde até as 20 horas (podendo ser prolongado), e a extinção dos actuais S.A.P., substituindo-os pelos U.B.U. (Unidade Básica de Urgência), a localização destes novos serviços ainda não está definida, sabe-se no entanto que funcionarão 24 horas por dia, contarão com a presença de pelo menos dois médicos, dois enfermeiros, entre outro pessoal técnico, serão dotados de vários serviços e serão equipados com equipamentos hospitalares inexistentes nos actuais S.A.P., existe também o compromisso de nenhum potencial utente destas U.B.U. ficar a mais de uma hora de distância das mesmas. Veremos se a partir dessa altura os doentes do concelho de Pedrógão Grande param de ser encaminhados para um hospital privado (Avelar) e passam a ser encaminhados para uma instituição de saúde do estado.
Concordo que seja necessário extinguir ou fundir algumas extensões de saúde, é preciso no entanto contemplar outros dados para além dos números, a maioria da população destas aldeias é idosa, estereotipo de população que requer um maior acompanhamento médico e não possui transportes públicos que lhe permitam deslocar convenientemente a uma localidade, a alguns km’s de distancia, para receber cuidados médicos.
Outra alteração que o governo pretende levar a bom porto é o prolongamento do horário de todos os centros de saúde até as 20 horas (podendo ser prolongado), e a extinção dos actuais S.A.P., substituindo-os pelos U.B.U. (Unidade Básica de Urgência), a localização destes novos serviços ainda não está definida, sabe-se no entanto que funcionarão 24 horas por dia, contarão com a presença de pelo menos dois médicos, dois enfermeiros, entre outro pessoal técnico, serão dotados de vários serviços e serão equipados com equipamentos hospitalares inexistentes nos actuais S.A.P., existe também o compromisso de nenhum potencial utente destas U.B.U. ficar a mais de uma hora de distância das mesmas. Veremos se a partir dessa altura os doentes do concelho de Pedrógão Grande param de ser encaminhados para um hospital privado (Avelar) e passam a ser encaminhados para uma instituição de saúde do estado.