24 abril 2006

Extensões de saúde em risco de fechar e fim do SAP – Eis a reestruturação da saúde na nossa região

Vinha recentemente publicado num jornal regional semanal que o governo pretende encerrar as extensões de saúde com menos de 1500 utentes, como a noticia me pareceu meio confusa em alguns aspectos decidi consultar o Diário da República para apurar a veracidade destas alegações, o mais semelhante que encontrei a esta noticia foi o decreto de lei nº60/2003 de 1 de Abril, Artigo 12º alínea 2 que refere o seguinte: A população inscrita na lista de cada médico deve ser de cerca de 1500 utentes, …, ora uma coisa é ter 1500 utentes por médico, outra é ter 1500 utentes por extensão/centro de saúde, mas partindo do princípio que a noticia é realmente verdadeira, há um sério risco de serem fechadas algumas extensões de saúde nos nossos concelhos. Figueiró dos Vinhos é um dos candidatos, onde cada uma das cinco extensões de saúde tem um número de utentes inferior a 1500 utentes: Vilas de Pedro: 52 utentes, Campelo: 143 utentes, Bairradas: 485 utentes, Arega: 1126 utentes e Aguda: 1139 utentes, o outro candidato é Pedrógão Grande, onde há 2 extensões de saúde em risco: Graça: 640 utentes e Vila Facaia: 771 utentes. A não usufruição de uma utopia perfeita, e infelizmente inconcretizável, não nos permite ter a existência de um só médico a tempo inteiro em cada uma das “nossas” extensões de saúde, pelo que devemos socorrer-nos dos números da Sub-Região de saúde de Leiria – Ministério da Saúde para obter uma análise mais detalhada do problema: Figueiró dos Vinhos possui 7 médicos (dos quais 2 estão em processo de aposentação e 1 está destacado para funções de gestão da Sub-Região) para responder aos cuidados de aproximadamente 8000 utentes inscritos, o que dá uma média teórica (7 médicos ao serviço) de 1143 utentes por médico e uma média real (4 médicos ao serviço) de 2000 utentes por médico. No caso de Pedrógão Grande existem 4 médicos para dar conta de aproximadamente 5900 utentes inscritos, o que corresponde a 1475 utentes por médico. Analisando os números concluímos que há falta de médicos em Figueiró dos Vinhos, e que há médicos de acordo com aquilo que é estipulado por lei em Pedrógão Grande, contrariando assim as supostas pretensões do governo de encerrar extensões de saúde por excesso de médicos nestes concelhos.
Concordo que seja necessário extinguir ou fundir algumas extensões de saúde, é preciso no entanto contemplar outros dados para além dos números, a maioria da população destas aldeias é idosa, estereotipo de população que requer um maior acompanhamento médico e não possui transportes públicos que lhe permitam deslocar convenientemente a uma localidade, a alguns km’s de distancia, para receber cuidados médicos.
Outra alteração que o governo pretende levar a bom porto é o prolongamento do horário de todos os centros de saúde até as 20 horas (podendo ser prolongado), e a extinção dos actuais S.A.P., substituindo-os pelos U.B.U. (Unidade Básica de Urgência), a localização destes novos serviços ainda não está definida, sabe-se no entanto que funcionarão 24 horas por dia, contarão com a presença de pelo menos dois médicos, dois enfermeiros, entre outro pessoal técnico, serão dotados de vários serviços e serão equipados com equipamentos hospitalares inexistentes nos actuais S.A.P., existe também o compromisso de nenhum potencial utente destas U.B.U. ficar a mais de uma hora de distância das mesmas. Veremos se a partir dessa altura os doentes do concelho de Pedrógão Grande param de ser encaminhados para um hospital privado (Avelar) e passam a ser encaminhados para uma instituição de saúde do estado.

6 comentários:

dn disse...

Caro Observador parabéns, uma vez mais, pelo artigo. Revela que não estamos em presença de um blog onde se vão mandando umas bocas e dizendo mal disto e daquilo,estamos sim em presença de um espaço onde se lançam artigos fundamentados e bastante pertinentes.
Quanto ao tema em si, obviamente tenho de concordar que é necessário fazer uma restruturação profunda no sector da saúde, chega a ser ridículo o que se passa em alguns centros de saúde ou extensões. A perda de tempo à espera do SR.DR., a lista de espera para ter uma consultita, enfim.... Mas atenção deste mal enferma todo o país, não detemos o exclusivo deste absurdo.
Já agora lanço o tema dos desperdícios em medicamentos, seria interessante discutirmos os milhões de euros que vão para o lixo com os medicamentos que passam o prazo de validade. De acordo com notícias recentes, neste primeiros três meses de 2006 já foram para o lixo mais de uma centena de toneladas (?) de medicamentos e uns milhões de euros. Até parece que somos um país rico, que se pode dar ao luxo deste desperdício. Ainda não consegui entender, ou melhor não quero, porque não se vendem os medicamentos à unidade, obviamente alguém ganha com isso e claro que devem ser os mesmos de sempre.

rmgonçalves disse...

Só um comentário neste artigo, no das eleições 52, como pode a nossa região evoluir assim? As pessoas só se interessam por assuntos mesquinhos e que em nada contribuem para o enriquecimento da nossa região. Tenho vergonha, MUITA VERGONHA. Quanto ao artigo, está bem documentado e apresentado, devem realmente haver centros de saude que encerrem por exessiva falta de pacientes. Também para que serve um centro de saude que abre só 3 vezes por semana? Para terminar: parabéns ao blog e continuem, gosto de vos ler.

Anónimo disse...

De facto é de assinalar o que foi dito anteriormente no primeiro comentário. De facto em redor da indústria farmacêutica gira muito dinheiro, e talvez da para perceber o porquê dos medicamentos não serem vendidos à unidade de acordo com as necessidades. Contudo é de salientar que empresas portuguesas como a Bial ou a Jaba, são responsáveis pelo um aumento significativo das exportações portuguesas, que tanto são necessárias. Como numa empresa, ou numa "simples" residência deve ser evitada qualquer tipo de desperdício, e existir um gestão coerente tendo por base as necessidades é de salutar. As sinergias e a aplicação de uma gestão cuidada são cada vez mais importantes. Por exemplo uma empresa que tenha vários balcões, por cada balcão de atendimento ao público existe por vezes um desperdício de pessoal de saúde e até um aumento nas despesas inerentes à própria prestação de serviços. Por vezes a centralização destes mesmos serviços poderá trazer um aumento de qualidade de atendimento, e deste que isto aconteça tudo o resto passa a fazer mais sentido. O utente quer essencialmente ser bem atendido e do ponto de vista económico não pagar muito.

Saúde para todos!


Bruno Antunes

Anónimo disse...

Se tem Vergonha mude de Terra

Anónimo disse...

Mas isto tem que fechar tudo!Quando o director do centro de sauda quer é o negócio do consultorio dos dentes,do particular,do ordenado da misericordia e depois lá vai dar umas receitas lá acima!Querem é que isto feche tudo para irem ao particular!Já alguma vez viram o DR.Carlos defender o Centro de saude dea nossa terra??

Anónimo disse...

Quem é q te disse q ele nunca defendeu? Fala do q tens conhecimentos, senão mais vale estares calado!