03 abril 2006

Variante de Vila Facaia (Pedrógão Grande) – Será mesmo necessária?

Há já mais de 15 anos que o projecto da Variante de Vila Facaia (Pedrógão Grande) existe, as sucessivas promessas de concretização feitas pelos vários autarcas que têm passado pela edil camarária não têm vingado. O projecto tem sofrido várias alterações aos longo dos anos, já se ouviu de tudo um pouco, que a variante iria ter só dois nós de acesso (um no extremo mais a sul e outro no extremo mais a norte da aldeia), que o acesso à variante só poderia ser feito através dos nós de acesso, ou seja, não havia ligação possível entre a variante e as estradas que a viessem a cruzar, que a variante iria passar mais a nascente ou poente da sede de freguesia, etc… Julgo que a falta de informação existente também não ajuda à discussão nem ao esclarecimento de ideias, a única certeza que existe é que a variante irá ligar o nó do IC8 na Adega com a nacional EN 236-1 na Alagoa, por isso mesmo vou só abordar o projecto da variante num aspecto mais geral e não num aspecto tão pormenorizado como aquele que desejaria.
Resolvi só agora abordar este assunto, porque agora, e mais que antes, se voltou a falar que seria desta vez que o projecto da variante iria ser executado, pois seriam finalmente disponibilizados os fundos da União Europeia tão necessários para a concretização da obra. E é aqui que surge a discussão, será mesmo esta obra indispensável para a freguesia de Vila Facaia e para os Facaienses? (Nota: Como colaborador deste blog, e como referi no meu primeiro artigo, darei sempre a conhecer aos utilizadores do blog noticias e temas do interesse de todos nós, abordando-os de forma concreta e apartidária, e sempre que ache necessário dando a minha opinião pessoal, porque um blog vive disto mesmo, da discussão e debate de ideias construtivas). Sou categoricamente contra a construção desta variante, pelos motivos que passo a enunciar:
1-Os defensores da obra falam da necessidade de escoar o trânsito que passa por dentro da aldeia e do facto dos veículos pesados estragarem algumas casas aquando da sua passagem. Este argumento é completamente descabido, sejamos realistas e tenhamos um pouco de bom senso, o número de carros que passa diariamente em Vila Facaia é irrisório, e esses poucos carros que vão passando ainda dão algum fulgor ao comércio da aldeia, quer através de compras nos supermercados, padarias ou cafés. A construção da variante só faria com que a aldeia ficasse ainda mais triste e sem nenhum movimento. Quanto ao argumento dos camiões, será mesmo necessário construir uma variante para escoar a passagem diária de no máximo dos máximo 8 camiões? Julgo que não. Num caso extremo poderiam optar pela interdição da sua passagem por dentro da aldeia, os percursos alternativos acrescentariam no máximo 10 minutos de viagem.
2-Também se fala dos suposto desenvolvimento que esta variante poderia trazer para Vila Facaia, pois como já ouvi dizer, “as estradas são as artérias do nosso País” (gosto da analogia). Se assim é, que investimentos são esses? A resposta é sempre um silêncio ensurdecedor que me leva a pensar que ainda há quem pense que de alcatrão se desenvolve um país. Se assim fosse como estariam os nossos amigos Nórdicos que em muitos casos não têm um único km de Auto-Estrada e são uma das zonas onde podemos encontrar alguns dos Países mais desenvolvidos do mundo.
3-Este projecto, como referi no inicio, tem mais de 15 anos, quando foi pensado ainda o IC8 era uma novidade e a EN 236-1 não estava beneficiada, nessa altura ainda se poderia argumentar que a variante era uma excelente via de comunicação entre Castanheira de Pêra e o IC8, mas entretanto a EN 236-1 foi remodelada e hoje em dia esta variante tiraria no máximo 7 minutos de tempo para quem se quisesse deslocar de Castanheira de Pêra para o sentido de Pedrógão Grande no IC8, ou vice-versa.
4-Recentemente as estradas da freguesia de Vila Facaia foram todas alargadas e alcatroadas, pelo que não é pelo mau estado de conservação das mesmas que esta Variante será feita.
5-Há quem esteja de acordo com os pontos anteriores mas diga: “se os fundos europeu vêm, temos de os aproveitar”, ora lá está uma afirmação que vai ao encontro do artigo que publicámos recentemente, “20 anos de União Europeia, Soubemos Aproveitar?”, onde, entre outros, é discutido o caso dos fundos europeus que recebemos de Bruxelas e gastamos mal.
6-A construção da variante não beneficiaria em nada os Facaienses, estragando os seus campos de cultivo (o que é mau para uma zona que vive ainda muito de uma agricultura de subsistência) e a única riqueza que ainda possuem, a paisagem, já para não falar do fim da tranquilidade que esta variante poderia trazer, pois a sua proximidade com a aldeia iria tirar com certeza algum do descanso e sossego a que os Facaienses estão habituados.
7-Há alguns moradores que pensam, ou enganados ou levados por engano, que farão fortunas com a venda dos seus terrenos, certamente terão mais probabilidades de acertar no Euro Milhões.
8-Porque não, em vez de se debaterem pela construção de uma estrada que pelo que se viu não traz grandes consensos e vantagens, tentarem melhorar o nível de vida dos Facaienses? Ocorre-me agora uma ideia (entre muitas), colocar por exemplo calçada ao longo de toda a aldeia, com iluminação e se possível passeios. É lógico que não é possível investir/transferir o dinheiro que é atribuído para uma obra X numa obra Y, mas não ficariam os Facaienses a ganhar se se gastasse tempo a tentar concretizar a obra Y em deferimento da obra X? Estando a obra X feita talvez seja mais difícil conseguir depois apoios para uma obra Y.
Não costumo aprofundar de uma maneira tão clara as minhas ideias e opiniões, mas julgo que este caso é um caso excepcional pelo que tomei esta liberdade.
Já sabe, se tiver algum artigo que queira ver colocado no nosso blog não hesite em manda-lo para o nosso mail: tertuliadopinhal@sapo.pt

6 comentários:

JpSantos disse...

Antes de mais parabéns pelo blog, não o conhecia e fiquei com curiosidade de o visitar mais vezes. Quanto ao caso apresentado, não o conheço em concreto, mas perante estes argumentos parece mais um caso de dinheiro esbanjado, UMA VERGONHA. Como avançaremos nós numa zona onde ainda se pensa que é com estradas que se desenvolve o que quer que seja, ainda por cima numa zona que vive em muito do turismo, ou será que querem fazer da nossa zona do pinhal um aeroporto cheio de alcatrão? Turismo e energias renováveis, insvistam nestes pontos meus senhores.

dn disse...

Embora não conheça o projecto, considero que a melhoria das acessibilidades é sempre benéfica. A analogia com os países nórdicos, correcta por sinal, esquece que nestes os outros tipos de transportes em geral e o ferroviário em particular t~em um desenvolvimento que está a anos luz do nosso.
Penso também que existe uma certa contradição no desenvolvimento do artigo, então mas o nº de carros é irrisório agora e com a nova via já vai tirar o descanso aos facaienses? Será que esta a considerar que a nova via vai atrir mais pessoas? Se assim for que venha e depressa.

O Observador disse...

Caro dn, no seu comentário diz: "... existe uma certa contradição no desenvolvimento do artigo, então mas o nº de carros é irrisório agora e com a nova via já vai tirar o descanso aos facaienses?"
O artigo não se contradiz, o número de carros que passa por dentro da aldeia é de facto irrisório, agora é obvio que com a construção da variante alguns dos condutores que se têm de deslocar ao nó do IC8 (que dá acesso a Castanheira de Pêra) e pretendem seguir para o sentido de Castelo Branco (ou vice-versa), passem a fazê-lo através da variante, poupando assim uns insignificantes 7 minutos à sua viagem. Uma nova via atrai sempre pessoas/automóveis, agora será que os custos, não só os monetários, justificam a obra? Como referi a estrada passa ao lado da aldeia, que benefícios isso traria? Quantas aldeias se vêem ao longo de Auto-Estradas movimentadas, e não é por causa dessa “especial localização” que se vê qualquer tipo de desenvolvimento ou melhoria nessas localidades. E tenhamos em atenção que estou a comparar uma Auto-Estrada onde passam milhares de automóveis por dia, com uma estrada Camarária onde o trânsito que se fará sentir é somente uma parte daquele que se desloca actualmente entre Castanheira de Pêra e o IC8.

Sergio Soares disse...

Este blogue tem crescido de dia para dia. Acredito que seja um sucesso para os seus autores. Como o Pensar se perdeu no Sapo, passa a viver em http://pensarpedrogaogrande.blogspot.com

Um abraço
Sergio Soares

PS: Caso seja possivel avisar e trocar o link..

rmc_gonçalves disse...

Esta variante só vai ser uma desgraça para Vila facaia, não sou morador de lá nem tenho lá qualquer terreno. falo com isenção e por conhecer o projecto.
A maior lacuna que conheço do trajecto é querem fazer da variante um estrada sem acessos as demais propriedades, uma coisa tipo o IC8.
Que benificios isto traz?
Só mesmo para quem vai para castanheira, de resto é mais uma gastadeira de dinheira do nosso senhor presidente, joão marques.

variante_sim disse...

As estradas são as veias e artérias do nosso país, já la dizia o grande Anibal cavaco Silva. Deixem-se de demagogias, a estrada só beneficiará o concelho em todos os pontos. Será mais rapido ir até à castanheira, já para não falar da possibilidade de construção das imediações da estrada. O povo quer é obra.