08 abril 2006

Teremos nós melhor qualidade de vida que os citadinos? - A fusão dos nossos 3 concelhos será a solução para os nossos problemas?

É usual afirmar-se que a qualidade de vida nas vilas e aldeias é superior à das cidades, os argumentos são fortes: menos poluição, menos barulho, nível de vida mais calmo e por consequência menos stress. Mas será realmente assim, teremos nós melhor qualidade de vida que os citadinos? Não estará a nossa balança um pouco viciada para os prós ou a pesar mal os contras? Vejamos o “nosso” exemplo: falta de médicos em centros de saúde onde actualmente se equaciona o encerramento do S.A.P de Figueiró dos Vinhos, em casos de problemas de saúde graves não temos ao nosso dispor uma equipa do I.N.E.M. esta tem de se deslocar de Coimbra ou Leiria; a nível de ensino há menos escolha de cursos (ensino secundário - regime geral) e nos exames nacionais estamos sempre nas posições mais baixas do ranking; o nível de vida mais caro, pela falta de concorrência entre supermercados e consequente “monopolismo”; o policiamento é fraco ou quase inexistente; falta de transportes públicos que trazem muitos inconvenientes para as pessoas mais idosas e sem outra possibilidade de se movimentarem; falta de emprego para pessoas com formação académica avançada, fazendo com que a nossa população tenha um nível de formação mais baixo em relação à das cidades; atrasos tecnológicos e infra estruturais; … é melhor parar por aqui antes que digam que tenho falta de “patriotismo regional”, agora tenhamos algum espírito autocrítico e questionemo-nos porque é que não vivemos melhor? È obvio que o número de pessoas existentes numa cidade é bastante superior ao dos nossos concelhos, isso faz com que nas cidades haja uma maior oferta de recursos, mas não teremos nós alguma culpa por as pessoas se deslocarem cada vez mais para as cidades e não se fixarem na nossa região? Conheço pessoas que até gostavam de fazer vida na nossa região (mesmo depois de equacionarem os pontos que referi em cima) mas depois quando são confrontadas com o imenso problema que é fazer uma casa ficam um pouco assustadas e frustradas (ler artigo do blog sobre: “O P.D.M. mata as nossas aldeias”) acabando por desistir dessa ideia. Não tenho uma solução/sugestão única para a resolução destes problemas, mas julgo que o nosso futuro terá de passar pela fusão dos nossos três concelhos (Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra), a racionalização de meios e o peso de um concelho representativo de mais habitantes poderão trazer novas perspectivas de futuro para todos nós.

14 comentários:

dn disse...

Caro Observador, não poderia estar mais de acordo com a análise feita neste artigo. Embora o processo de globalização e massificação, devido ao explosivo desenvolvimento dos meios de comunicação em geral, tenha atenuado esta dicotomia rural/urbano, ela continua a verificar-se em muitos casos, nomeadamente naqueles que foram referidos.

limpysweet disse...

Gosto da volta que é dada no artigo. Julgo que há diferentes modos de vida, o do interior e o do litoral. São opções mesmo que estas nos tragam mais inconvenientes, como menos prosperação de carreira profissional, o cuidados de saude tamb+em é verdade, gastamos muito mais dinheiro que aqueles que vivem nos grandes centros urbanos. A calmaria e o ar puro do interior acabam-se por pagar, e não devia ser assim! Sou a favor de um estado socialista com igualdade de direitos e opções entre todos. Não vejo como podessemos ganhar com a extinção dos concelhos, assim sempre vamos tendo 3 concelhos a puxar para uma mesma região, caso contrário seria só um.

alertaconstrutiva disse...

Não sei até que ponto é que se pode fazer uma comparação entre meios completamente distintos e que infelizmente continuam a afastar-se cada vez mais. Apesar de inequivocamente preferir o mundo rural para viver, à um facto que não pode ser negado, as cidades tem continuado a crescer e o mundo rural (apesar de uma melhoria substancial na qualidade de vida - jardins,piscinas, acessibilidades, infraestruturas desportivas, alguns serviços, educação, ar puro...)em passo lento. Não por culpa das autarquias, mas por falta de capacidade de decisão dos governos.
Quanto à situação de se anexarem concelhos, tenho a dizer que discordo completamente! A forma mais fácil nem sempre é a mais viável, a mais correcta!
A mentalidade das pessoas do interior na qual incluo a minha, não está minimamente preparada para ser governada pelo concelho vizinho, normalmente rival a vários níveis. para além disto, penso que se as comunidades inter-municipais fossem levadas a sério poder-se-ia resolver o problema da gestão de recursos. Onde o conceito de comunidade auto-suficiente e perto dos cidadãos ficaria presente. Penso que todos já deveriamos ter chegado à conclusão que ter hospitais, SAPs, e outras infraestruturas sem condições em todo o lado só trás custos em vez de benefícios. Não é preciso acabar com os concelhos mas sim permitir que projectos de reorganização e de trabalho conjunto entre municipios possa dar frutos. As árvores foram plantadas, mas estão a esquecer-se das regar.

O Observador disse...

Caro alertaconstrutiva, afirma no seu comentário que a mentalidade das pessoas do interior não está suficientemente preparada para deixar de parte as razões de rivalidade (que são na sua grande maioria infundamentadas ou de cariz pessoal) nem que isso lhes traga consequências negativas, é devido a esse tipo de "preconceito evolutivo" que somos uma das zonas mais pobres do país. Noto também alguma contradição no seu artigo, como podem três concelhos rivais (segundo diz) coabitar e pensar como um todo dentro de uma comunidade intermunicipal? Não concordo quando diz que a fundição dos 3 concelhos seria o caminho mais fácil de percorrer, a reestruturação e racionalização dos meios existentes nos três concelhos originaria um repensar profundo e bastante complexo, quer por parte dos nossos políticos, quer por parte das nossas populações, pelo que este seria (ao contrário do que diz) o caminho mais difícil de percorrer, pois teria de acabar com interesses corporativos (políticos e associativos) bastante enraizados na nossa região. As sociedades que por orgulho ou medo do progresso não fizeram por se adaptar aos novos desafios que a barra cronológica lhes ia proporcionando obtiveram um lugar de destaque nessa mesma barra, são hoje vistas como um exemplo de fracasso. Julgo que já está mais que demonstrado que continuar é matar, será assim tão difícil repensar?

alertaconstrutiva disse...

Caro Observador, a questão da proximidade com uma entidade capaz de resolver e atender aos nossos problemas (e que o faz desde há décadas) não deve desaparecer. A própria identidade dos concelhos não pode desaparecer, se hoje caímos no risco das sedes de concelho concentrarem quase todo o investimento, com a anexação de municipios infelizmente isso continuaria a acontecer (Imagine que a sua sede de Concelho passaria a ser a do seu Concelho vizinho).
Se os recursos forem racionalizados, se os investimentos de maior envergadura forem distribuídos ao longo de uma comunidade de forma racional e sensata, no setido de serem úteis a todos, as vantagens serão decerto maiores.
Tenho também a dizer-lhe que gosto do seu discurso, que apesar de teórico tem alguma objectividade. Mas penso que deve informar-se melhor do que são comunidades intermunicipais e quais os seus objectivos.
Por último, quero apenas realçar que apesar de ter o chamado "preconceito evolutivo" que refere nunca abdicarei do concelho a que pertenço. Algumas das sociedades que alteraram a sua estrutura ou a sua governação de forma acentuada ou contra a vontade dos seus cidadaõs, acabaram por se afundar no lodo.

O Observador disse...

Caro alertaconstrutiva, sinto que tem um excessivo "patriotismo concelhio" que acaba por influenciar bastante a sua posição. Diz no seu discurso que as sociedades que vão contra a vontade do seu povo acabam por se afundar no lodo, um pouco demagogo, não acha? Veja o seguinte exemplo, o concelho da Sertã tem uma área de 446.7 Km2 com 16 274 habitantes distribuídos por 14 freguesias, Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra têm juntos uma área de 364.86 Km2 com 15.433 habitantes e 10 freguesias. A vila da Sertã é mais desenvolvida que qualquer um destes três concelhos, a vila de Cernache do Bom Jardim (uma das freguesias da sertã) é tão ou mais desenvolvida que algum dos três concelhos. Este é um exemplo de muitos.

Anónimo disse...

Figueiró dos Vinhos para sempre. Não à fundição dos 3 concelhos, antes pertencer a Espanha.

zé da horta disse...

Não me revejo, para já, inserido noutro concelho que não seja o meu. Mas julgo que se houver uma consciencialização e apresentação séria e coerente dos nossos politicos, será até um bom caminho a seguir. Agora é obvio que tudo passa pela reeducação dos nossos politicos, sem eles o povo não se mexe.

alertaconstrutiva disse...

Caro Observador, tirando Sertã e Cernache, tudo o resto é paisagem. E caso não saiba Cernache já foi concelho. Agora, a comparação que faz apresenta um critério totalmente desfazado do que inicialmente pretendia. Convido-o a visitar aldeia por aldeia, freguesia por freguesia do concelho da Sertã para que as ilações que possa tirar sejam palpáveis e reais.
Tenho ainda a dizer-lhe que em cerca de metade da área que refere, existêm três vilas (cede de Concelho) com uma qualidade de vida superior, mais próximas dos seus cidadãos e com freguesias muito menos isoladas.
Quado quiser fazer comparações fáceis, tenha cuidado com o reverso da medalha!
Quanto a mim este assunto está mais que debatido e as minhas ideias estão espostas.

O Observador disse...

Caro alertaconstrutiva, convido-o a ler o artigo do blog: "Estudo mostra que somos os concelhos mais POBRES", que pode encontrar na seguinte página: http://tertuliadopinhal.blogspot.com/2006/04/estudo-mostra-que-somos-os-concelhos.html
Depois convido-o a repensar se estamos realmente a seguir o caminho certo.
Quanto ao exemplo que lhe dei, não concordo de forma alguma com a sua opinião, já argumentei de forma coerente e concisa a minha ideia, pelo que considero este assunto completamente esclarecido. Para terminar, e em modo de conclusão, penso que é graças a este tipo de debates que um blog marca a diferença.

Anónimo disse...

Fundição só conheço a de Oeiras.

Saloios....

Anónimo disse...

vão xamar Caro ó Carvalho

Anónimo disse...

a solução certa: Pedrógão Grande como Câmara. As outras seriam juntas freguesia. Qual é a que tem mais dinamismo, hãã?

Anónimo disse...

SERTÃ