06 julho 2006

Será o GIPS o pior inimigo dos incêndios?

Segundo o ministro da administração interna, António Costa, em declarações ao diário Correio da Manhã, durante o primeiro mês e meio de acção (15 de Maio a 30 de Junho) dos GIPS, é feito um saldo completamente positivo da sua intervenção.
Nos cinco distritos onde os centros de meios aéreos estiveram instalados na fase Bravo – Vila Real, Viseu, Coimbra, Leiria e Faro – os militares da GNR foram chamados pela central a intervir 80 vezes: 66 através das equipas de nove elementos helitransportadas e 14 por equipas de patrulhamento em terra.

Das 66 intervenções pelo ar, em que os militares partiram das bases a bordo de cada um dos cinco helicópteros Bell 204 e 205 – um por base –, 25 tiveram lugar no Vidago, distrito de Vila Real, 4 em Santa Comba Dão, distrito de Viseu, 21 na Lousã distrito de Coimbra, 5 em Figueiró dos Vinhos, distrito de Leiria e 11 em Loulé, distrito de Faro.

De todas estas ocorrências, onde se incluem os falsos alarmes, o GIPS extinguiu 43 fogos em fase nascente e perdeu apenas o controlo a 13, que deram origem a incêndios onde foi preciso recorrer aos bombeiros.

Os Falsos alarmes têm sido uma enorme dor de cabeça para as autoridades competentes, só nesta fase (fase bravo), das 66 vezes que o Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS) foram chamados para combater as chamas, 10 chamadas eram falsos alarmes. A partir do momento em que a chamada é feita para o 112 os helicópteros levantam voo, só que a rapidez com que os militares da GNR tentam chegar aos fogos esbarra com as brincadeiras de mau gosto de quem gosta de ver os helicópteros voar. A brincadeira sai cara, custa ao Estado cerca de 1400 euros por hora, e também pode sair cara aos “brincalhões”, de relembrar que quando é efectuado um telefonema para o serviço 112, sem que haja um acidente ou um incêndio, está a cometer um crime (“abuso e simulação de sinais de perigo”), este pode ser punível com pena de pisão até um ano ou com multa até 120 dias. Talvez seja necessária uma acção de sensibilização para que estes falso alarmes propositados ocorram com menor frequência.

Dissecando os números, acho que é entendível o optimismo do Ministro António Costa, no entanto ainda é prematuro fazer-se qualquer tipo de balanço conclusivo, tanto negativo como positivo. A meteorologia não nos tem proporcionado, até à data, e ainda bem, condições extremas propicias à ocorrência de grandes incêndios, com o passar da época de verão veremos se o optimismo do ministro prevalecerá e não cairá em desgraça. Certamente prevalecerá, se assim não fosse jamais estaríamos perante um político, e este é dos bons.

Será interessante saber o que têm a dizer os bombeiros e populares que já viram esta nova força de combate a incêndios a actuar. Farão também um levantamento positivo de toda a sua participação até à data? Considero fundamental analisar a opinião das pessoas que andam realmente no terreno, deixando, como é óbvio, os confrontos institucionais de lado.

Algumas curiosidades (fonte c.m):

Equipamentos do GIPS
Botas: Botas grotex, idênticas às que usam os bombeiros nos Estados Unidos – leves e confortáveis.
Fardamento: Todo ele ignifogo (anti-fogo, apenas passam algumas irradiações de calor).
Luvas: Luvas ignifogo.
Cógula: Máscara normal; capacete com protecção de nuca; óculos normais; camisola de algodão.
Outro material: Ancinhos, sacholas, foices, batedores e extintores com água, que se transportam às costas.
A ter em conta:
Intervenção Rápida: A partir de 1 de Julho (fase charlie), as brigadas helitransportadas estão de norte a sul do País, preparadas para chegar em 15 minutos à zona nascente do fogo, em 90 por cento do território. Têm 90 minutos para extinguir o fogo. Se não conseguirem, avançam os meios terrestres.
Reforço de peso: O aerotanque russo de combate a incêndios alugado pelo Governo por dois meses chega hoje à Base Aérea n.º 5, em Monte Real. O Beriev 200 transporta 12 mil litros de água ou 12 toneladas de produtos de extinção. Custa cerca de 1,2 milhões de euros.
4648 Incêndios: Os bombeiros já
combateram 4648 fogos florestais, entre 14 de Maio e 29 de Junho deste ano. Estiveram envolvidos 39 289 elementos, com 10 106 viaturas. O pior dia foi o 4 de Junho, com 280 fogos.

13 comentários:

Anónimo disse...

todos os esforços são poucos para acabar com a vergonha dos incêndios, desse triste espectáculo que nos deixa a todos mais pobres e nos ridiculariza no estrangeiro pois de Portugal só têm noticias dessas.

limpysweet disse...

era interessante saber o que os bombeiros têm a dizer disto tudo. Eu pessoalmente só vejo os senhores da GNR a andar aí de um lado para o outro em duas pickup's topo de gama. Quanto ao resto não falo pq n sei.

frequentador do bar disse...

os bombeiros que estão no piquete dos voluntarios de pedrógão deviam era ir limpar as ervas em lugar de beberem cerveja naquela escda todos ESPOJADOS!Será que o comamdante não os pode tirar dali!Até se tem que pedir licença aqueles pançudos gordos, quando se qoer ir ao bar,que segundo se sabe também foi outra negociata!!!!

Aristóteles disse...

És um cromo frustado. Não sabes comentar ou apresentar uma critica sobre o tema proposto.
Quanto a este tema, penso que é prematuro tirar qualquer tipo de ilações sobre algo que ainda agora começou,e ainda para mais, tratando-se de um periodo onde as condições climatéricas felizmente têm sido favoráveis. É de uma ignorãncia extrema fazer qualquer tipo de comparação de forma tão precoce. Quanto aos bombeiros, seria bom sinal que não fossem necessários! Quando isto aquecer, quero vre o que fazem os GIPS e os cromos dos comentários tristes.

alertaconstrutiva disse...

A Propaganda política faz-se assim: As letras grandes mostram-nos os grandes feitos, as mais pequenas, ou que ficam mais para o fim do texto explicam que já não é bem assim... Enfim, mais uma vez a montanha pariu um rato, e o mais engraçado, é que muitos creêm nessa façanha oculta da Natureza.

bombeiro disse...

Toda a ajuda é bem vinda. Mas acho que se o dinheiro gasto nestas equipas fosse distribuido pelas várias corporações para comprar material necessário, teria sido melhor (penso eu). Pela reportagem que deu à dias na RTP, não é com treinos dakeles que eles vão ficar bem preparados para o que terão que enfrentar. Acho que agora deviam analisar melhor as coisas, devido à morte dos 6 bombeiros. Ora se 5 bombeiros chilenos morrem num incêndio, utilizando as mesmas técnicas que os GIPS e com muitos mais anos de experiência no combate aos fogos, deviam ponderar melhor a utilização destas equipas.

limpysweet disse...

Há aqui um comentário lamanentável ("frequentador do bar"), não sou bombeiro por opção pessoal, mas não os critico como alguns individuos que ficam em casa a ver as nossas florestas arder e depois vêm para aqui mandar bitites, não os defendo por serem bombeiros, defendo-os porque nos devemos respeitar uns aos outros. Acho que não perdiam nada em estar caladinhos estes individuos que só falam mal. A minha homenagem aos 5 bombeiros chilenos e ao português que morreram ontem. Só monstra que a vossa é uma profissão de risco, e têm de andar aqui a ouvir bocs, para depois morrerem e vos restar uma coroa de flores. Deiam mérito e louvor a estes homens, como em tudo há os MAUS bombeiros e os BONS bombeiros, não generalizem.

Albino Arreda disse...

Mas o que é que aquela baleia da laraita faz nos BOmbeiros?E na cambra?Por favor d~em dignidade á função pública e aos bombeiros!

Anónimo disse...

Um dia kuando todas estas pessoas k falam mal e criticam entrarem pros bombeiros o comandantew vai poder escolher os bombeiros com k trabalha, mas como a mao de obra voluntaria é limitada mesmo a mais pekena ajkuda é sempre bem vinda.
Realmente em relaçao ao material é uma vergonha, se for preciso o bombeiro vai num carro com 20 ou 30 anos pra frente do fogo lkuando ele vai com a maior força e estes moinas andam de topo de gama so pra apagar fogueiras.
Mais em relaçao ao tema, casa as pessoas na saibam, nos anos antes já haviam brigadas heli-transportadas, o k mudou foi o tacho, dos bombeiros pros bofias, por isso acho k nao mudou grande coisa, o tempo é k tem estado de feiçao para eles.

Anónimo disse...

Sou militar do GIPS e acho que tenho direito a defender-me dos comentários anteriores.
Penso que isto não era a nossa missão mas apartir do momento em que nos foi determinada a mesma pelo poder politico legalmente instituido, isso deixou sequer de se por em causa. Relativamente ao trabalho desenvolvido pelo GIPS sou da opinião da maioria, embora tenhamos tipo resultados excelentes, até ao lavar dos cestos é vindima, por isso, só no final da campanha se pode falar em números. Outro aspecto que eu acho fundamental frisar aqui é o facto de estarmos dos Bombeiros estarem a trabalhar muito bem na realidade que eu conheço. Não tenho razão de queixa de nenhum, muito pelo contrário, tem revelado ser excelentes profissionais e demonstrando empenho na maioria das situações. Claro que em todos os locais há bons e maus profissionais a unica coisa que muda é a percentagem...

C.Costa disse...

Como bombeiro penso poder falar com algum conhecimento de causa e poder dizer que já há mais de 20 anos que existem BHT primeiro dos serviços florestais/associações de celulose e depois dos bombeiros (voluntários). O que não existiu até agora foi a vontade política de EQUIPAR e FORMAR esses homens dessas brigadas. Agora sim, o nosso governo gastou milhares de euros em equipamento e formação. Não querendo levantar qualquer situação que desonre a instituição ou mesmos os homens da GNR, penso que seria mais lógico ter investido esse montante nas equipas que já tinham e que já possuíam bastante formação prática.
Até à data ainda não foi visível, nem o será ainda neste ano (pois as condições climatéricas não são tão adversas como em outros passados) avaliar o trabalho destas equipas de GIPS, mas o tempo dirá se foi uma boa aposta pôr de lado as BHT dos bombeiros e começar tudo de novo. No meu entender penso que foi um erro, pois os bombeiros continuam a ter o mesmo equipamento (antiquado) e a mesma vontade de trabalhar no terreno.
Penso que será bom que haja comunicação e entendimento dos bombeiros com os elementos da GNR e vice-versa, pois só assim poderemos chegar ao inicio da época das chuvas e dizer que o balanço do nosso trabalho foi positivo.

Anónimo disse...

Vi aqui comentarios de todo o genero e feito e dos que vi reparei que nenhum trabalho com Bombeiro e tambem com os GIPS aos mesmo tempo. Os GIPS são uma necessidade para o país tal como os Bombeiros, ninguem vem aqui tirar o lugar a ninguem. E os senhores que ganhavam algum dinheiro á custa dos fogos e que tentam denegrir a imagem de todos os que se intrometem de uma forma profissional, esse vão ter de esperar por dias melhores...Temos pena. Já agora, nos ultimos dois anos de GIPS todos os grandes incêndios ,NENHUM foi em area dos GIPS (relatorios de incêndios florestais disponiveis na INternet). Paremos de denegrir a imagem de quem trabalha e quer fazer algo pelo país, enquanto andarmos em quezilias internas e na defesa de quintinhas não vamos a lado nenhum. Portuga precisa tanto dos GIPS como de Canarinhos e não de 1 só. Lamento quem diga o contrario e ainda mais lamento que essas pessoas informem mal a opinião publica.

Cumprimentos para todos os Operacionais de Combate a Incêndios Florestais que lutam por um bem comum.

maria disse...

ADMIRO MT A VOSSA PROFISSÃO.
É TRISTE HAVER PESSOAS CRIMINOSAS,CAPAZES DE POR EM RISCO OUTRAS PESSOAS INOFENSIVAS.
DESEJO-VOS MT FORÇA,PARA AJUDAR OS OUTROS.